Felca e a polêmica da “adultização”

Influenciador se expõe em defesa de menores e acirra debate público

São Paulo, agosto de 2025 — O humorista e influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, está no centro de um dos debates mais intensos das redes sociais neste mês. Aos 27 anos, o criador publicou, em 6 de agosto, um vídeo de quase 50 minutos intitulado “Adultização”. Nele, expôs casos de exploração sexualizada de crianças e adolescentes cometidos, segundo ele, por outros influenciadores.

Desde então, o assunto ganhou força não apenas na internet, mas também nos âmbitos político e jurídico, mobilizando autoridades e despertando reações de figuras públicas.


Vídeo viral e denúncia contra Hytalo Santos

O conteúdo não demorou a viralizar. Em poucos dias, ultrapassou 26 milhões de visualizações, o que reforçou o alcance e a gravidade da denúncia. Felca apontou diretamente o influenciador paraibano Hytalo Santos como responsável por publicar vídeos com menores em contextos sexualizados. Entre os exemplos, ele citou festas com bebidas alcoólicas e danças sensuais protagonizadas por adolescentes.

Como consequência imediata, o Instagram removeu o perfil de Hytalo, fato que ampliou ainda mais o debate e atraiu a atenção da mídia.


Ações do Ministério Público e reação política

Paralelamente à repercussão, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) intensificou suas investigações. O órgão, que já acompanhava o caso desde 2024, abriu novas frentes de apuração e conseguiu decisões judiciais para retirar do ar perfis de menores expostos de forma inadequada.

Enquanto isso, no campo político, o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que o tema da sexualização infantil virtual entraria na pauta legislativa. Além disso, parlamentares começaram a discutir a criação da chamada “Lei Felca”, que busca criminalizar a adultização da infância no ambiente digital. Essa movimentação mostra que o caso ultrapassou o universo online e passou a influenciar o debate institucional.


Ameaças e reforço na segurança

No entanto, a exposição trouxe riscos à integridade física de Felca. Logo após a publicação, ele relatou ter recebido ameaças de morte. Por esse motivo, decidiu reforçar sua segurança pessoal. Atualmente, circula em carro blindado e conta com escolta profissional. Segundo o influenciador, essas medidas se tornaram necessárias diante do clima hostil gerado pelas denúncias.


Processos e proposta inusitada

Além das ameaças, Felca também precisou lidar com ataques virtuais. Ele entrou com ações judiciais contra 233 perfis no X por difamação, já que muitos usuários o associaram falsamente ao crime de pedofilia. No entanto, em vez de seguir apenas pelo caminho judicial, ele propôs um acordo alternativo: arquivaria as ações se os acusados doassem R$ 250 para instituições de proteção à infância e publicassem pedidos de desculpas.

Essa abordagem incomum, por sua vez, recebeu elogios de parte do público, que viu na atitude uma tentativa de transformar ataques em benefícios sociais concretos.


Trajetória e posicionamentos firmes

Felca construiu sua audiência com vídeos de sátira e reação, como “testei a base da Virgínia”, que já superou 19 milhões de visualizações. Em 2023, ele se destacou nas “lives NPC” do TikTok, arrecadando R$ 31 mil, valor que doou integralmente ao Instituto Ayrton Senna, Fundação Abrinq e Amigos do Bem.

Além disso, ele chamou atenção ao recusar uma proposta de R$ 50 milhões para divulgar plataformas de apostas como o “tigrinho”. Essa postura o levou a depor na CPI das Bets, onde defendeu maior regulamentação e proteção aos jovens.


Impacto social e possíveis desdobramentos

Em síntese, a polêmica que envolve Felca vai muito além de um conflito entre influenciadores. Ao expor práticas abusivas, ele colocou na agenda pública a necessidade urgente de proteger menores no ambiente digital. Por consequência, autoridades passaram a agir, parlamentares iniciaram discussões e parte da sociedade repensou sua relação com conteúdos online.

Mesmo diante de ameaças e campanhas de difamação, Felca garante que continuará defendendo sua causa. Para ele, o tema não diz respeito apenas ao mundo virtual, mas à preservação da infância como um todo. O caso, portanto, segue em evolução e pode resultar em mudanças reais na legislação brasileira.

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