O prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Marcelo Lima (Podemos), deixou o cargo nesta quinta-feira (14) após a Polícia Federal deflagrar a Operação Estafeta. A investigação identificou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo uma organização criminosa dentro da administração municipal.
Além disso, a Justiça determinou que Lima use tornozeleira eletrônica e não frequente as dependências da prefeitura. Dois vereadores também enfrentam medidas cautelares: Danilo Lima Ramos, presidente da Câmara e primo do prefeito, e Ary José de Oliveira, do PRTB. Ambos foram afastados de suas funções.
Investigação começou com apreensão de R$ 14 milhões
As investigações tiveram início em julho, quando a PF apreendeu R$ 14 milhões em espécie — entre reais e dólares — com Antônio Renê da Silva, diretor da Secretaria de Coordenação Governamental, suspeito de integrar o grupo criminoso. Atualmente, Antônio Renê está foragido.
Essa apreensão motivou a investigação de propinas em contratos de obras, serviços de saúde e manutenção. Consequentemente, a Polícia Federal ampliou suas diligências para mapear toda a rede de corrupção.
Mandados e medidas judiciais
A Operação Estafeta cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em São Bernardo do Campo, São Paulo, Santo André, Mauá e Diadema. Além disso, a PF bloqueou sigilos bancário e fiscal dos investigados. Entre os crimes apurados, destacam-se organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e corrupção ativa.
Trajetória de Marcelo Lima
Marcelo Lima, de 42 anos, assumiu a prefeitura no ano passado, sucedendo Orlando Morando. Antes disso, atuou como vereador por dois mandatos, vice-prefeito entre 2017 e 2022 e deputado federal em 2023.
Durante sua gestão, implementou a ampliação do ensino integral e políticas públicas voltadas para mulheres e pessoas com deficiência. No entanto, sua administração agora enfrenta o impacto das investigações.
Contexto de fiscalização crescente
A operação da PF ocorre em um cenário de fiscalização crescente sobre administrações municipais. Nos últimos anos, diversas prefeituras de São Paulo sofreram investigações que resultaram em prisões e afastamentos de gestores. Dessa forma, a Polícia Federal tem desarticulado esquemas que se aproveitam da gestão pública para fins ilícitos.
Repercussão e próximos passos
O afastamento de Marcelo Lima reforça o compromisso das autoridades em combater a corrupção em todas as esferas do poder público. A população de São Bernardo do Campo acompanha os desdobramentos e espera que a Justiça responsabilize os envolvidos, restaurando a confiança na administração municipal.
Além disso, a Polícia Federal segue investigando e promete aprofundar a apuração para identificar todos os envolvidos e calcular os prejuízos ao erário público. Novas informações devem surgir nos próximos dias, à medida que as diligências avançam.