Pesquisa Quaest mostra recuperação da popularidade de Lula

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 20 de agosto de 2025, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu recuperar parte de sua popularidade, após meses de resultados desfavoráveis. Conforme os dados, a aprovação ao governo subiu de 43% em julho para 46% em agosto, enquanto a desaprovação caiu de 53% para 51%. Embora os números ainda indiquem mais eleitores insatisfeitos, a distância entre aprovação e rejeição se tornou a menor do ano, evidenciando uma tendência de recuperação.

Avanço consistente nas regiões

De acordo com a Quaest, essa melhora não foi restrita a um único segmento. Pelo contrário, ela ocorreu de forma relativamente uniforme em todas as regiões do país, com exceção do Sul, onde a desaprovação permanece alta, em torno de 61%. Já no Nordeste, região historicamente mais favorável a Lula, a aprovação subiu para 60%, ao passo que a rejeição caiu para 37%. Esse dado reforça o peso da região como base de sustentação do governo, especialmente porque contrasta com os números mais críticos do Sul e do Centro-Oeste.

Além disso, a pesquisa apontou que Lula também conseguiu avanços entre faixas de renda mais baixas. Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, a aprovação cresceu de 48% para 52%, enquanto a desaprovação recuou quatro pontos percentuais. Isso sugere que políticas sociais e a percepção de melhora no custo de vida influenciam diretamente a avaliação presidencial.

Economia e liderança política como fatores decisivos

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, dois fatores principais explicam esse movimento. Em primeiro lugar, houve uma melhora no humor econômico, associada à percepção de queda nos preços de alimentos. Para milhões de brasileiros, a inflação em itens básicos impacta diretamente o orçamento, e, portanto, qualquer alívio no supermercado se traduz rapidamente em avaliação positiva para o governo. Em segundo lugar, a postura firme de Lula diante das ameaças de tarifas anunciadas por Donald Trump foi vista como sinal de liderança política e defesa do interesse nacional.

Dessa forma, enquanto antes prevalecia um ambiente de pessimismo, agora cresce a sensação de que o governo consegue reagir em momentos críticos. A pesquisa revelou que 22% dos entrevistados acreditam que a economia melhorou nos últimos 12 meses, contra apenas 17% no levantamento anterior. Embora a maioria, 46%, ainda considere que a situação econômica piorou, o avanço desse indicador é visto como importante sinal de virada.

Evolução ao longo do ano

É relevante observar que, em abril deste ano, Lula enfrentou seu pior momento. Naquele mês, a aprovação caiu para 41%, enquanto a desaprovação atingiu 56%, o maior índice negativo desde o início de seu terceiro mandato. Em maio, o quadro ficou ainda mais desfavorável, com 57% de rejeição e apenas 40% de aprovação. Entretanto, a partir de junho, a curva começou a mudar, com leve recuperação em julho e aceleração desse movimento em agosto.

Portanto, a pesquisa atual indica não apenas um crescimento pontual, mas sim uma trajetória positiva contínua. Essa tendência pode se consolidar caso a economia mantenha sinais de estabilidade e o governo consiga transmitir imagem de eficiência na gestão.

Cenário político e próximos desafios

Apesar da melhora, o governo ainda enfrenta importantes desafios. O fato de a desaprovação permanecer em 51% significa que a maioria dos brasileiros ainda não se sente satisfeita com a condução do país. Além disso, em regiões como o Sul, a resistência a Lula continua forte e pode influenciar o cenário eleitoral de 2026.

Contudo, o dado mais significativo é a redução da distância entre aprovação e desaprovação. Em maio, essa diferença era de 17 pontos percentuais. Em julho, caiu para 10. Agora, em agosto, está em apenas 5. Caso a tendência prossiga, o governo pode entrar em um ciclo de maior estabilidade política, o que lhe daria mais espaço para implementar projetos estratégicos.

Conclusão

A pesquisa Genial/Quaest de agosto confirma que o presidente Lula recupera fôlego em sua base de apoio popular. A aprovação de 46%, aliada à queda da rejeição para 51%, mostra que, embora o caminho ainda seja desafiador, há sinais claros de recuperação. Além disso, a melhora é perceptível em todas as regiões, com destaque para o Nordeste, e também entre famílias de renda mais baixa.

Assim, se o governo conseguir sustentar a percepção de melhora econômica e manter uma postura firme em questões internacionais, Lula poderá fortalecer sua posição nos próximos meses. Afinal, a política é feita de movimentos constantes, e o levantamento de agosto sugere que, pela primeira vez em 2025, o governo conseguiu inverter a tendência negativa que se arrastava desde o início do ano.

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