PF reúne provas contra Eduardo Bolsonaro e investiga Malafaia

Indiciamento oficial

Na quarta-feira, 20 de agosto de 2025, a Polícia Federal indiciou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Além dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro também entrou na lista de acusados. Ambos respondem por coação no curso do processo e por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Dessa forma, a investigação atinge diretamente o núcleo político da família. O relatório final, com 170 páginas, foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As provas reunidas

Ao longo da investigação, a PF coletou diversos elementos que, segundo os agentes, demonstram um plano articulado. Entre os principais pontos, destacam-se:

  • Minuta de asilo político: encontrada no celular de Jair Bolsonaro, a minuta sugeria fuga para a Argentina. O documento, datado de fevereiro de 2024, reforça a ideia de preparação prévia.

  • Movimentações financeiras suspeitas: cerca de R$ 2 milhões foram transferidos para a conta de Michelle Bolsonaro. Logo depois, o valor passou para Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo. Assim, a PF aponta tentativa clara de mascarar a origem dos recursos.

  • Operações de câmbio: ao menos seis compras de dólar entre janeiro e julho de 2025 chamaram a atenção. Além disso, os investigadores identificaram padrão de ocultação patrimonial.

  • Descumprimento de medidas cautelares: mensagens entre Jair Bolsonaro e o general Braga Netto mostraram contatos proibidos. Uma delas mencionava o uso de “apenas FaceTime”, em alusão a encontros fora do controle judicial.

Portanto, as provas revelam que não se tratava apenas de discursos políticos, mas de ações práticas que buscavam alterar o rumo da investigação no STF.

O papel de Silas Malafaia

Enquanto Eduardo e Jair já enfrentam o indiciamento, o pastor Silas Malafaia virou alvo de medidas cautelares. A PF apreendeu seu celular, reteve seu passaporte e proibiu sua saída do país.

De acordo com o relatório, Malafaia deu apoio ativo à narrativa bolsonarista. Além disso, ele ajudou a organizar ataques contra ministros do STF. Em uma das conversas interceptadas, chegou a sugerir que Bolsonaro enviasse vídeos por listas de transmissão com frases de impacto, como “VOCÊ É A VOZ!”. Ainda mencionou possíveis “retaliações” contra integrantes da Corte.

Dessa forma, os investigadores concluíram que Malafaia aderiu subjetivamente ao intento criminoso. Ou seja, ele não apenas apoiou, mas também colaborou para amplificar a estratégia política.

Consequências imediatas

Diante desse cenário, o ministro Alexandre de Moraes concedeu 48 horas para as defesas apresentarem explicações. Agora, advogados precisam justificar descumprimentos de medidas, movimentações financeiras e riscos de fuga. Em seguida, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece denúncia, se solicita novas diligências ou se arquiva parte do caso.

Paralelamente, o STF já marcou o julgamento central. A sessão começará em 2 de setembro de 2025, na Primeira Turma. O processo envolve não só Jair e Eduardo, mas também militares e ex-ministros que formavam o núcleo do plano golpista.

Impacto político e jurídico

As consequências políticas também são significativas. O indiciamento mostra que a PF vê evidências consistentes de uma tentativa coordenada de enfraquecer instituições democráticas. Além disso, a inclusão de movimentações financeiras e planos de fuga reforça a gravidade do caso.

Assim, Eduardo Bolsonaro aparece não apenas como apoiador, mas como agente direto. Seu envolvimento inclui articulações financeiras e contatos proibidos. Já Malafaia surge como elo entre discurso religioso e mobilização digital, ampliando o alcance da rede de apoio.

O que esperar

Nos próximos dias, a PGR terá papel decisivo. Se oferecer denúncia, Eduardo Bolsonaro pode se tornar réu no STF ainda este ano. Jair Bolsonaro, por sua vez, já acumula múltiplos inquéritos e pode enfrentar mais uma derrota judicial. Quanto a Malafaia, a análise de seu celular deve esclarecer até onde foram suas articulações com a família Bolsonaro.

Portanto, a investigação entra em fase crítica. O julgamento de setembro no STF será mais do que um processo individual. Ele servirá como teste para medir os limites da política diante do respeito às instituições democráticas.

Conclusão

Em resumo, o relatório da PF expõe um conjunto de provas que conecta política, finanças e comunicação digital em um mesmo plano. A soma de arquivos, mensagens e operações financeiras torna difícil a defesa sustentar a ausência de articulação.

Assim, o caso representa não só um desafio jurídico, mas também um marco político. Afinal, ele evidencia até que ponto setores do poder tentaram manipular a Justiça e ameaçar a democracia brasileira.

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