A Polícia Civil prendeu na manhã desta quinta-feira (07) os influenciadores digitais Bia Miranda, Maumau e Buarque, acusados de participar de um esquema de fraudes digitais. A operação, batizada de Fake Fame, aconteceu simultaneamente no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.
Segundo os investigadores, os três manipulavam artificialmente seus perfis nas redes sociais, utilizando bots, métricas falsas e identidades digitais fraudulentas para atrair marcas e fechar contratos publicitários milionários. O grupo teria movimentado mais de R$ 12 milhões nos últimos dois anos.
O delegado Ricardo Nogueira, que coordena o caso, afirmou que os influenciadores não apenas sabiam da fraude, como também operavam ativamente o esquema. “Eles construíram uma rede complexa de perfis falsos e interações automatizadas para parecer mais relevantes do que realmente eram”, declarou.
Trajetória até o escândalo
Bia Miranda se destacou em um reality show em 2023 e desde então ganhou milhões de seguidores. Maumau conquistou fama com vídeos de humor e paródias nas redes, enquanto Buarque se projetou como criador de conteúdo voltado ao estilo de vida e ostentação. Juntos, eles atraíram campanhas de grandes marcas dos setores de moda, tecnologia, alimentação e cosméticos.
Contudo, após a prisão, diversas empresas decidiram romper os contratos com os influenciadores. A marca Fitec, por exemplo, cancelou a parceria com os três e publicou uma nota afirmando que “não tolera nenhuma conduta ilegal ou antiética”.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, os influenciadores usavam bots estrangeiros, compravam curtidas e seguidores falsos, além de simular interações reais com comentários automáticos gerados por inteligência artificial. Também manipulavam relatórios de engajamento para impressionar agências e anunciantes.
A especialista em segurança digital Marina Cordeiro destacou que o caso mostra o quanto a imagem pública nas redes pode ser fabricada. “Eles criaram um universo fictício, no qual o número de seguidores e curtidas não refletia influência real, mas sim um cenário forjado com tecnologia e má-fé”, explicou.
Defesas tentam reverter narrativa
As equipes jurídicas dos três presos negam todas as acusações. Os advogados de Bia Miranda afirmaram que ela construiu sua carreira com dedicação e talento, e que desconhecia qualquer fraude envolvendo sua imagem.
Apesar disso, as reações nas redes sociais se intensificaram. Enquanto alguns fãs prestaram apoio, outros passaram a criticar duramente os influenciadores. A hashtag #InfluencerOuIlusionista dominou os trending topics do X (antigo Twitter) poucas horas após a notícia vir à tona.
Justiça decidirá próximos passos
O trio aguarda a audiência de custódia, prevista para as próximas 48 horas. Caso a Justiça entenda que há risco de obstrução das investigações, os três podem continuar presos de forma preventiva.
Especialistas em direito digital afirmam que, se condenados, os influenciadores podem pegar até 15 anos de prisão, considerando crimes como falsidade ideológica, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Mais do que punir, o caso reacende o debate sobre a ética no mercado de influência. “A busca por fama e lucro a qualquer custo cria um terreno fértil para esse tipo de distorção”, alerta Marina Cordeiro.