Washington, 13 de agosto de 2025 – O relatório “Country Reports on Human Rights Practices”, que nesta edição ficou marcado pelo título “Trump Reduz Relatório e Mira Opositores”, provocou forte repercussão internacional. Isso porque o documento do Departamento de Estado dos EUA não apenas reduz o conteúdo, mas também elimina temas sensíveis e amplia críticas a adversários políticos. Ao mesmo tempo, suaviza ou até omite abusos cometidos por aliados estratégicos.
Mudança de foco e cortes profundos
Antes de tudo, especialistas observam que o relatório perdeu cerca de dois terços do conteúdo histórico. Agora, cada país recebe apenas uma introdução resumida. Além disso, categorias essenciais, como direitos das mulheres, liberdade de manifestação e proteção da população LGBTQ+, foram totalmente retiradas.
Consequentemente, a Human Rights Watch classificou a alteração como “manipulação política”. Para a ONG, apagar abusos relevantes enfraquece a credibilidade do documento e prejudica tanto defensores de direitos humanos quanto solicitantes de asilo.
El Salvador e Israel ganham tratamento brando
Por exemplo, o caso de El Salvador evidencia a mudança. O texto oficial afirma que não há “relatórios confiáveis de abusos significativos”. No entanto, organizações internacionais continuam registrando denúncias de execuções extrajudiciais, tortura e prisões em condições degradantes, especialmente no megacomplexo penitenciário CECOT.
De forma semelhante, o tratamento dado a Israel mudou radicalmente. As menções às severas condições em Gaza desapareceram completamente. Além disso, referências a possíveis crimes de guerra ou crimes contra a humanidade foram suprimidas. Assim, observadores alertam que a ausência compromete o registro histórico de abusos.
Brasil e África do Sul sob críticas diretas
Em contrapartida, países percebidos como opositores receberam ataques mais duros. O Brasil, por exemplo, foi acusado de restringir a liberdade de expressão, principalmente contra apoiadores de Jair Bolsonaro. Do mesmo modo, a África do Sul foi acusada de perseguição contra a minoria branca Afrikaner.
Portanto, para analistas, essa diferença de abordagem deixa claro o alinhamento ideológico da atual administração. Em resumo, críticos apontam que os ataques concentram-se em adversários, enquanto aliados estratégicos são poupados.
Omissões comprometem o uso legal do documento
Historicamente, o relatório servia como fonte essencial para legisladores, ONGs e processos de asilo. Entretanto, com lacunas sobre violência de gênero, direitos reprodutivos e liberdade de imprensa, sua utilidade prática diminui consideravelmente.
Dessa forma, a Anistia Internacional alerta que a omissão deliberada de informações ameaça enfraquecer a defesa global dos direitos humanos. Ainda segundo a ONG, o fenômeno, apelidado de “Efeito Trump”, contribui para retrocessos e legitima regimes autoritários.
Departamento de Estado perde especialistas
Além do conteúdo reduzido, a reformulação veio acompanhada de cortes internos. O Departamento de Estado demitiu funcionários do Bureau of Democracy, Human Rights, and Labor. Paralelamente, orientou a adoção de textos mais curtos e alinhados às prioridades da Casa Branca.
Por essa razão, críticos afirmam que o documento deixou de ser um registro técnico imparcial para se tornar uma ferramenta de apoio político.
Impacto internacional e reação da imprensa
No cenário internacional, a repercussão foi imediata. Veículos como El País, Reuters e BBC destacaram que os EUA parecem “passar pano” para aliados e, simultaneamente, endurecer contra opositores.
Consequentemente, essa postura pode prejudicar a imagem do país como defensor global dos direitos humanos. Assim, ao adotar critérios seletivos, Washington arrisca perder credibilidade diplomática e influência moral.
Conclusão: um relatório sob suspeita
Em síntese, o documento de 2025 rompe com o padrão histórico. Ele abandona a abordagem abrangente e baseada em evidências para priorizar conveniência política.
Assim, opositores da administração Trump afirmam que o relatório serve apenas para reforçar narrativas internas. Já aliados defendem que ele reflete “fatos relevantes” e evita a “politização” dos direitos humanos.
No entanto, a exclusão de temas centrais e a suavização de abusos cometidos por parceiros estratégicos levantam sérias dúvidas. Logo, para muitos, o relatório de 2025 se torna um marco preocupante que ameaça comprometer décadas de avanços na promoção e defesa dos direitos humanos em escala global.
